quinta-feira, outubro 07, 2010

LENÇOS QUE VAMOS GUARDANDO

LENÇOS QUE VAMOS GUARDANDO

Ela morava numa casa para idosos na cidade do Rio de Janeiro.
Aos 90 anos, exercitava o idioma inglês que aprendera, sem sotaque. À margem de livros de poemas, ela ia vertendo os poetas brasileiros para o idioma de Shakespeare. Era para não esquecer.
Agora, o que lhe dava realmente prazer era receber uma visita. Quando isto acontecia, seu ritual era emocionante. Sobre a cama no quarto, ela desenrolava cada um dos lenços de seda que comprara em suas viagens ao lado do marido (já falecido). Ao estender cada um deles, ia descrevendo a cidade onde o adquirira. Quem prestasse atenção conheceria paises e continentes sem ter ido lá.
Como esta senhora, ao longo da vida vamos colecionando lenços.
Que memórias registram? Que sabores guardam? De que cores são? De que tecido foram feitos?
Os daquela senhora eram de seda, em muitas cores. Não guardavam amarguras. Eram lampejos de saudade. Eram testemunhos de gratidão.
Todos guardamos lenços (sejam fotos, bilhetes, "recuerdos", quadros, papéis ou lenços mesmo). Podemos desenrola-los sobre a cama, como memórias de alegria e esperança?

quinta-feira, setembro 30, 2010

IGREJA

IGREJA (Ariovaldo Ramos)
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Igreja é um lugar onde o Pai se sente em casa,

Onde é adorado pelo que é e não pelo que pode,

Onde é obedecido de coração e não por constrangimento,

Onde o seu reino é manifesto no amor, na solidariedade, na fraternidade e serviço ao outro,

Onde o ser humano se perceba em casa e seja a casa de Deus e do outro,

Onde Jesus Cristo é o modelo, o desejo e o caminho,

Onde a graça é o ambiente, o perdão a base do relacionamento e o amor a sua cimentação.

Onde o Espírito Santo está alegre pela liberdade que desfruta para gerar e expressar a Cristo,

Onde Ele vê os seus dons serem usados para edificar, provocar alegria e servir ao próximo,

Onde todos andam abraçados,

Onde a dor de um é a dor de todos,

Onde ninguém está só,

Onde todos têm acesso ao perdão, à cura de suas emoções, à amizade e a ser cada vez mais parecido com Cristo,

Onde os pastores são apenas ovelhas-exemplo e não dominadores dos que lhes foram confiados,

Onde os pastores são vistos como ovelhas-líder e não como funcionários a serem explorados.

Onde não há gente nadando na riqueza enquanto outros chafurdam na miséria,

Onde há equilíbrio, de modo que quem colheu demais não esteja acumulando e quem colheu de menos não esteja passando necessidades.

Enfim, a comunidade do reino de Deus,

Onde aparece a humanidade que a Trindade sonhou,

Onde a cidade encontra paradigmas.

Onde o livro texto é a Bíblia.

PORTAS PARA ENTRAR, PORTAS PARA NÃO ENTRAR


PORTAS PARA ENTRAR, PORTAS PARA NÃO ENTRAR

A Bíblia ilustra bem o quanto gostamos de portas. Nela há 693 referências a porta ou portão.
Jesus mesmo se apresenta como sendo a porta.
Nos tempos bíblicos, quando os pastores recolhiam suas ovelhas à noite, entravam por uma abertura de pedra e faziam entrar as ovelhas. Por isto, a porta de um rebanho de ovelhas era o próprio pastor. Jesus se compara a esta porta.
Jesus é a porta pela qual podemos entrar no mundo da felicidade. A Bíblia chama isto de "transbordância" de vida (João 10.10), que é aquilo que todos buscamos.
No entanto, todos sabemos que há outras portas. Ou: há outros pastores. Por isto, a vida é feita de escolhas. Podemos escolher a porta da vida. Podemos escolher a porta da morte.
Há muitas portas abertas. José, por exemplo, quando estava na casa do Faraó, teve a porta aberta do quarto da esposa do governador, que o convidou para se deitar com ele. A porta estava aberta, mas ele não entrou por ela. Ele percebeu que aquela era uma oportunidade a ser evitada e a evitou (Gênesis 39).

domingo, setembro 26, 2010

O que nos identifica como discípulos?

O que nos identifica como discípulos?
O que faz com que outras pessoas vejam em nós a rara esperança de dias melhores? 
Qual é a nossa credencial como embaixadores de um Reino Eterno? 
Seriam os cargos eclesiásticos? 
O timbre da nossa voz? 
A harmonia da nossa canção? 
A cor da pele? 
A textura do cabelo? 
Ou as vestes que usamos? 
Quando nos olhamos no espelho, o que estamos vendo na verdade?
O que nos identifica como discípulos não é quão graciosos podem ser nossos passos pelo Caminho Estreito, mas quão generosa pode ser a caminhada. 
A esperança que habita em nós só pode ser vista pelos desesperançosos, quando nós decidirmos que o melhor a fazer é compartilhar com os outros o sentimento que inunda nosso ser. 
Nâo importa a cor dos olhos, da pele ou do cabelo. 
Não importa o quanto cantemos bem, ou o quanto nossa música seja agradável aos ouvidos, ou o tamanho e estilo das roupas vestimos. 
O crachá que realmente nos identifica como diferentes em um mundo tão tenebroso é o amor.
O que entendemos errado, porém, é que este amor não se restringe aos irmãos de igreja, familiares ou companheiros de caminhada. 
O alvo deste amor que nos une, e que deveria ser a nossa única bandeira, deveria ser, principalmente, os que carecem dele.
Se o amor é a ponte que nos reconciliou com Deus, não podemos escondê-la dos que mais precisam dela. 
O amor é o único remédio que pode curar a mais terrível ferida, e nós teimamos em escondê-lo dos que mais precisam dele.

No Amor e com amor.

domingo, agosto 29, 2010

A melhor maneira de se descobrir um cristão fake

A melhor maneira de se descobrir um cristão fake
Recentemente assisti a uma entrevista de um blogueiro que criou uma personagem fake, com o objetivo de ridicularizar os evangélicos. Segundo ele, mais de trinta mil pessoas visitam diariamente seu blog, e mesmo com toda a zoação (abuso de clichês, palavras chulas e situações pouco prováveis para um cristão), muitos acreditam que tudo aquilo é real.

Como esta personagem, há milhares de fakes circulando na internet, alguns tão sutis que é quase impossível dar-se conta de que não sejam pessoas reais.

Pior do que os fakes cibernéticos, são os de carne e osso que circulam nossas igrejas e nossas vidas, fazendo-se passar por aquilo que não são. Como reconhecê-los? Será que existem pastores fakes? Gente que sobe ao púlpito descaradamente, fingindo ser o que não são? Infelizmente a resposta é sim. Não dá pra confiar em tudo o que vemos e ouvimos.

Também recentemente, um pastor brasileiro que tem sido convidado para pregar fora do País, foi desmascarado, por usar dados do perfil do Orkut das pessoas como se fossem revelações dadas por Deus.

Até quando seremos enganados por esses fakes?

Como perceber que alguém é o que de fato diz ser? Como saber se aquela pessoa realmente teve um encontro com Deus?

Uma sociedade baseada em aparência, facilmente se deixará enganar por aqueles que ostentam uma piedade de fachada. Basta que o sujeito use meia dúzia de jargões religiosos, e pronto. Já enganou metade das pessoas do seu convívio.

Escrevendo a Tito, Paulo denuncia os que "professam conhecer a Deus, mas negam-no pelas suas obras, sendo abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra" (Tt.1:16).

Discursar sobre teologia não significa conhecer a Deus. Tive um professor no seminário que se dizia ateu. E aí?

Tempo de casa também não significa nada. Conheço gente que abraçou a fé há tão pouco tempo, mas que já conhece a Deus com mais profundidade do que alguns que nasceram e foram criados no ambiente da igreja.

Então, como podemos inferir se alguém conhece ou não a Deus, ou ainda, se é um cristão legítimo ou um fake? Do ponto de vista de Deus, não há qualquer problema. Afinal de contas, "O Senhor conhece os que são seus" (2 Tm.2:19a). Mas do ponto de vista do lado de cá, só há uma maneira de saber quem de fato conhece a Deus: "Qualquer que profere o nome do Senhor aparte-se da injustiça" (v.19b).

Vamos tentar entender melhor isso através de uma passagem não muito conhecida do Antigo Testamento:

"Eram os filhos de Eli, filho de Belial; não conheciam o Senhor" (1 Sm.2:12).

Como pode alguém ser filho do Sumo-sacerdote, e não conhecer a Deus? Nem sempre filho de peixe, peixinho é. Embora fossem filhos de Eli, aos olhos de Deus eram filhos de Belial (nome usado no AT em referência a Satanás).

Como o escritor sagrado chegou à esta conclusão? Vejamos o relato:

"Ora, o costume desses sacerdotes para com o povo era que, oferecendo alguém um sacrifício, estando-se cozendo a carne, vinha o moço do sacerdote com um garfo de três dentes na mão ( o famoso ‘tridente’). Metia-o na caldeira, ou na panela, ou no caldeirão, ou na marmita, e tudo o que o garfo tirava, o sacerdote tomava para si. Assim faziam a todo o Israel que ia a Siló”(vv.13-14).

Este era o meio de subsistência dos sacerdotes. Eles se dedicavam integralmente ao culto, e dependiam das ofertas para sobreviver. Porém, havia um protocolo a ser seguido.

“Mas antes mesmo de queimarem a gordura, vinha o moço do sacerdote e dizia ao homem que sacrificava: Dá essa carne para assar ao sacerdote; ele não aceitará de ti carne cozida, senão crua. Se lhe respondia o homem: Queime-se primeiro a gordura, e depois tomarás o que quiseres, então ele lhe dizia: Não, hás de dá-la agora; se não, tomá-la-ei à força. Era muito grande o pecado destes moços perante o Senhor, pois desprezavam a oferta do Senhor” (vv.15-17).

De acordo com o protocolo, a carne dos animais sacrificados deveria ser colocada no caldeirão, até que a gordura se queimasse, e assim, o sacerdote meteria seu garfo e retiraria a sua parte. Mas a gordura tinha que queimar.

Os filhos de Eli não tinham paciência de esperar que a gordura se queimasse. A gordura representava a melhor parte, e esta pertencia ao Senhor. Mas eles não se satisfaziam com a parte que lhes cabia no caldeirão.

Eles foram enredados pela mesma proposta feita pela serpente ao primeiro casal no Éden. Abocanharam o que pertencia exclusivamente a Deus.

Quem conhece a Deus, ama a justiça e foge da injustiça.

Justiça é dar a cada um o que lhe é de direito. A Deus o que é de Deus, a César o que de César, ao empregado o que é direito seu, ao patrão, idem, ao cônjuge a sua parte (1 Co.7:3-5), e assim por diante.

Em vez de lutar por lucro, quem conhece a Deus luta por justiça. Não importa quem vai ficar com a melhor parte do bolo, desde que isso seja justo.

Nas palavras do apóstolo, “dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo, a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra. A ninguém devais coisa algum, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros” (Rm.13:7-8a).

Dar honra é o inverso de querer tirar vantagem.

O que denunciava que os filhos de Eli eram na verdade “filhos de Belial”, e, portanto, sacerdotes fakes, era o fato de quererem tirar vantagem em tudo, até daquilo que pertencia ao Senhor.

É claro que temos direitos, porém o direito alheio vem sempre em primeiro lugar. Temos que esperar a gordura queimar, para tirar o que é nosso. É disso que Paulo fala em Romanos 12:10: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-os em honra uns aos outros.” Ser cordial é ceder a vez, é por o interesse do outro acima do nosso, como nos orientou Paulo em outra passagem: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade, cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (Fp.2:3-4).

Sempre haverá um caldeirão diante de nós, e nossa postura ao metermos nosso garfo vai revelar de quem somos filhos.

É simples assim:


“Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão” (1 Jo.3:10).